Outubro 23, 2026

    Arimatea

    Arimatea

    Estado decisivo para o resultado das eleições e considerado um "espelho" do país (entenda abaixo), Minas Gerais entrou no foco das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da corrida presidencial.

    Enquanto o petista busca a virada em MG, onde venceu em 2022 com 48,29% dos votos, o candidato do PL quer ampliar a vantagem obtida em 4 de outubro, quando teve 48,24% dos votos, contra 43,33% de Lula. Para ganhar votos, eles contam com o apoio de aliados eleitos no estado e com a mobilização popular, nas ruas e nas redes.

    Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e, desde a primeira eleição pós-redemocratização, em 1989, reflete o resultado nacional. Todos os presidentes eleitos no Brasil venceram no estado, que se tornou um ponto de atenção das campanhas. 

    "O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional. [...] Então, é natural que os candidatos foquem em Minas para buscar votos", afirmou Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). 

    Minas Gerais também é apontado por estudiosos como um "estado pêndulo", devido ao fato de que os eleitores têm mudado entre um lado e outro do campo político nos últimos 30 anos.

    No primeiro turno da votação deste ano, cerca de 22% dos eleitores de MG não compareceram às urnas – 3.735.098 abstenções foram registradas. Em todo o Brasil, o índice de abstenção foi de 21,08%, um recorde. 

    "Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras. Lula, por sua vez, foi mais votado em mais municípios. Isso mostra que há mapas eleitorais diferentes dentro de Minas e ajuda a explicar por que os dois querem voltar: cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás", avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

    Esta reportagem mostra a campanha presidencial em Minas Gerais a partir dos seguintes pontos: 

    • Campanha de Lula em MG
    • Campanha de Flávio em MG
    • Importância de aliados para atrair votos
    • Atos e mobilizações populares pelo estado
    • Como ficou o primeiro turno 

    Campanha de Lula em MG 

    Lula visitou o estado pela primeira vez depois de 4 de outubro nesta sexta-feira (16). Ele escolheu começar por Juiz de Fora, a única entre as dez maiores cidades de MG onde o presidente venceu no primeiro turno, com 49,58% dos votos, contra 41,53% de Flávio. Ele participou de uma caminhada, acompanhado da prefeita Margarida Salomão (PT) e da senadora eleita Marília Campos (PT).

     

    Depois, no mesmo dia, o petista visitou Ipatinga, no Vale do Aço, onde terminou o primeiro turno com 31,47% dos votos, ante 61,11% de Flávio. Marília Campos também acompanhou a agenda. A senadora eleita, ex-prefeita de Contagem, tornou-se uma peça importante da campanha de Lula em Minas Gerais. Ela recebeu 3.990.864 votos.

    Deputados federais do campo progressista eleitos no estado também têm participado ativamente da corrida do presidente pela reeleição. É o caso, por exemplo, de Ana Elisa (PT), a segunda parlamentar mais votada em MG, com forte presença nas redes sociais, e de André Janones (Rede), criador do canal de WhatsApp "Exército do Lula", que já acumula mais de 4,2 milhões de seguidores.

    Campanha de Flávio em MG 

    Flávio Bolsonaro também esteve em Minas Gerais nesta semana. Na quinta-feira (15), ele participou de um ato em Capelinha, uma das poucas cidades do Vale do Jequitinhonha onde venceu no primeiro turno. Ele obteve 48,20% dos votos no município, e Lula, 44,39%.

    O candidato estava acompanhado do senador eleito Domingos Sávio (PL) e de Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado do Brasil, com 3.118.784 votos. Fenômeno nas redes sociais, Nikolas é um dos principais nomes à frente da campanha bolsonarista e deve se dedicar nos próximos dias a atos a favor de Flávio em diversas cidades do país.

    A previsão era a de que o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), também participasse da agenda, mas ele passou mal na quinta-feira após discursar no Senado e não foi ao evento.

    Cleitinho é outro aliado importante do candidato do PL no segundo turno. Ele declarou apoio a Flávio publicamente e tem postado vídeos nas redes pedindo votos para o presidenciável, que ainda deve retornar a Minas Gerais antes de 25 de outubro.

    Importância de aliados para atrair votos

    Na avaliação de Felipe Nunes, o apoio de políticos eleitos pode fortalecer Lula e Flávio, mas a conquista de novos eleitores depende de outros fatores.

    "A presença deles pode dar capilaridade às campanhas, mobilizar apoiadores e ajudar a levar a mensagem dos candidatos a públicos locais. Mas não existe transferência automática de votos: o efeito depende da identificação dos eleitores com essas lideranças e da capacidade de transformar apoio em voto e comparecimento às urnas", afirmou.

    Para o professor Camilo Aggio, Flávio tem vantagem em relação aos apoios devido, principalmente, ao papel de Nikolas Ferreira e do governador eleito, Cleitinho Azevedo.

    "Embora eu tenda a achar que o apoio de Nikolas e de Cleitinho seja mais importante pela visibilidade digital que os dois conquistaram, essa associação é um grande ativo para a campanha de Flávio. [...] O PT tem um pouco mais de fragilidade. Embora Marília Campos tenha sido eleita, ainda há uma rejeição muito grande à sigla em Minas Gerais", pontuou.

    Ele destacou, no entanto, que mesmo diante do cenário de rejeição, Lula conseguiu vencer no estado e ser eleito presidente em 2022.

    "O Lula é um sujeito que consegue fazer alianças politicas fortes, significativas. [...] A minha aposta é que a campanha dele deve investir muito em Minas nessa reta final", falou.

    Atos e mobilizações populares pelo estado

    Desde o início da corrida para o segundo turno, eleitores têm se mobilizado em manifestações e atos nas ruas.

    Entre os atos pró-Lula, o maior ocorreu no dia 9 de outubro, na Praça Afonso Arinos, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Apoiadores passaram por algumas das principais ruas e avenidas do Centro da capital mineira.

    No dia anterior, manifestantes se reuniram em Juiz de Fora, em Uberaba e em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e também em Divinópolis, no Centro-Oeste.

    Na última quinta-feira (15), mais uma mobilização foi realizada na capital mineira, no campus da UFMG, na Pampulha, com a presença de Ana Elisa, André Janones, Duda Salabert (PSOL) e outros parlamentares.

    Na noite desta sexta-feira (16), um ato a favor de Flávio Bolsonaro foi realizado em Nanuque, no Vale do Mucuri, com a participação de Nikolas Ferreira.

    O professor Camilo Aggio acredita que a mobilização nas ruas, por si só, não é suficiente para ganhar votos, mas é importante para engajar os eleitores.

    "Ela existe para energizar as bases, dar uma certa esperança, apontar caminhos e convencer as pessoas de que é possível. Quando o sujeito acha que tem chances, a tendência é se mobilizar mais. E, obviamente, essas mobilizações servem para criar conteúdo para o digital. A pessoa que está nas ruas também está postando nas redes", afirmou.

    Felipe Nunes concorda que os atos ajudam a dar visibilidade à campanha, animar apoiadores e influenciar a conversa pública. Para ele, também podem estimular a participação no dia da eleição.

    "Em Minas, pela dimensão do estado e pela diversidade de seus eleitorados, a mobilização precisa se converter em presença e apoio em diferentes regiões", falou.

    Como ficou o primeiro turno

    Embora Lula tenha vencido na maior parte dos municípios mineiros (452 de 853), no somatório dos votos do estado ele terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, que liderou em 401 cidades.

    O candidato do PL ficou na frente em nove das dez maiores cidades de Minas Gerais: Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Governador Valadares, Ribeirão das Neves e Ipatinga. Lula se saiu melhor em Juiz de Fora.

     
    g1
    Portal Santo André em Foco

    O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, concedeu nesta sexta-feira (16) entrevista à Globo e prometeu manter o fim da escala de trabalho 6x1, aprovado pelo Congresso nesta semana, disse que pretende exercer apenas um mandato, sem tentar a reeleição, e evitou responder diretamente se dará um cargo ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, se for eleito. Sobre essa possibilidade, afirmou que "não está no radar".

    Na entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, Flávio Bolsonaro afirmou também ter ficado surpreso com investigações envolvendo políticos aliados no Rio de Janeiro, como o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), preso na quinta-feira (17) e suspeito de lavagem de dinheiro e ligações com a milícia, o ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar (União Brasil), também preso e suspeito de ligação com o Comando Vermelho, e o ex-governador Cláudio Castro (PL), que ficou inelegível por abuso de poder.

    A entrevista, transmitida direto dos Estúdios Globo, no Rio, faz parte da cobertura do segundo turno das Eleições 2026. O programa foi exibido pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1. A íntegra está disponível no vídeo acima.

    O que Flávio Bolsonaro disse na entrevista 

    • Fim da escala 6x1: Flávio Bolsonaro era contra a mudança, mas mudou de posição e votou a favor no Senado. Disse que tomou a decisão após ouvir trabalhadores em viagens pelo Brasil.
    • Ajuste fiscal: propôs cortar ao menos dez ministérios, vender imóveis públicos e combater a corrupção para equilibrar as contas do governo.
    • Salário mínimo e aposentadorias: prometeu manter o aumento real do salário mínimo, acima da inflação, e disse que não vai desvincular o reajuste das aposentadorias do salário mínimo, nem eliminar o piso de investimento em saúde e educação.
    • Reforma do Judiciário: defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes por suposta atuação político-partidária. Disse que Kassio Nunes Marques deve ser investigado por suspeitas de ligação com o escândalo do Banco Master.
    • Reeleição presidencial: disse querer exercer apenas um mandato, mas deixou em aberto a duração desse mandato. Rejeitou mudanças que favoreçam candidaturas de familiares.
    • Filme "Dark Horse": foi perguntado sobre por que recorreu a Daniel Vorcaro e por que pediu R$ 134 milhões se o filme custou R$ 75 milhões. Na resposta, disse que conversou com vários investidores e que o ex-dono do Banco Master "topou fazer", e que "o contrato não foi cumprido".
    • Pai no governo: disse que não conversou com o pai, Jair Bolsonaro, que está preso, sobre sua participação em um eventual governo. Segundo ele, o tema "não está no radar".
    • Irmão no governo: afirmou que Eduardo Bolsonaro não será nomeado ministro das Relações Exteriores se for eleito.
    • Aliados investigados no Rio: disse ter ficado surpreso com investigações e prisões de aliados suspeitos de ligação com o tráfico e a milícia no Rio de Janeiro.
    • Atos de 8 de Janeiro: questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe de Estado e defendeu punições proporcionais aos crimes.
    • Segurança pública e armas: defendeu ampliar o acesso da população a armas e criticou o Estatuto do Desarmamento.
    • Forças Armadas: prometeu mobilizar militares e polícias estaduais para combater o narcotráfico. 

    Ajuste fiscal 

    Flávio Bolsonaro foi perguntado sobre propostas para fazer um ajuste fiscal e equilibrar as contas do governo. Primeiro, afirmou que vai manter o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a regra que vincula o reajuste das aposentadorias ao salário mínimo. Também negou que pretenda mudar a Constituição para eliminar os pisos de investimentos públicos nas áreas de saúde e educação.

    "Importante suas perguntas, porque têm circulado, de fato, muitas fake news, e esse é um importante momento para esclarecê-las, porque o meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo", disse.

    Na sequência, o candidato afirmou que, sem mexer nessas despesas, as medidas para chegar a um ajuste de R$ 200 bilhões nas contas públicas seriam cortar ao menos dez ministérios e combater a corrupção e a má gestão nas estatais. Citou, além disso, a possibilidade de gerar "receitas novas" com a venda de imóveis que pertencem ao governo federal, a securitização de dívidas e a exploração de petróleo na Margem Equatorial, em reservas recém-descobertas pela Petrobras.

     

    "Se pegar os quase R$ 3 trilhões de dívidas que a União tem a receber, isso pode ser securitizado, trazemos mais de R$ 200 bilhões a mais de receita para esse orçamento por ano, para cada ano é possível alcançar essa cifra", disse.

    Fim da escala 6x1 

    O candidato disse que decidiu mudar de posição e votar a favor do fim da escala de trabalho 6x1, proposta defendida pelo governo Lula (PT), após ouvir trabalhadores em viagens pelo Brasil. A medida foi aprovada pelo Senado nesta semana e já está valendo.

    "Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6x1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.

     

    Depois, disse o seguinte: "O problema é que, durante essa folga, com mais um dia de folga, você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado. Com um dia a mais de folga, você vai continuar indo dormir preocupado porque você está devendo e o seu salário não está durando até o dia 30, está durando só até o dia 20. Então, eu vou ser um presidente da República que, além de respeitar e garantir essa folga a mais para os trabalhadores, vou fazer de tudo para devolver o poder de compra do povo brasileiro e devolver a segurança nas ruas para que todos possam andar com mais segurança".

    Flávio Bolsonaro era contrário à medida, que chamou de eleitoreira e oportunista antes de mudar de posição, e disse na entrevista que sempre defendeu "mais liberdade, para que os trabalhadores pudessem inclusive montar a sua própria escala de trabalho".

    Perguntado sobre a posição de aliados que defendem aprovar uma proposta diferente, que prevê pagamentos de salários, férias e 13º proporcionais às horas trabalhadas, respondeu que vai respeitar o que foi aprovado pelo Congresso. 

    "Todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Cada um pode ter a sua opinião individual, mas de minha parte isso aqui está respeitado. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso." 

    Reforma do Judiciário e críticas a Moraes 

    Flávio Bolsonaro afirmou que uma reforma do Judiciário deveria buscar a recuperação da credibilidade e citou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem acusou de interferir em diferentes assuntos e perseguir adversários políticos.

    “Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, disse. "Os amigos do Lula no STF se protegendo para que investigações não avancem sobre eles, isso é o que não dá mais. Eles acabaram com a credibilidade do Poder Judiciário."

    Perguntado sobre suspeitas de que o ministro Kassio Nunes Marques — indicado por Jair Bolsonaro (PL) ao STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — também teria vínculos com Vorcaro, a exemplo de Alexandre de Moraes, Flávio disse que Nunes Marques também deveria ser investigado. "Todo mundo tem que estar abaixo da lei."

    Ao defender o impeachment de ministros do STF por crimes de responsabilidade, Flávio Bolsonaro afirmou que Moraes faz "atuação político-partidária" e age como articulador de Lula. "Por exemplo: tomar decisões quando obviamente deveria se declarar suspeito para tomar essas decisões. Foi o que o Alexandre de Moraes fez, tomou decisões perseguindo adversários que ele pré-determinava", disse. 

    Fim da reeleição e tempo de mandato 

    O candidato falou sobre a sua proposta de acabar com a reeleição para presidente e disse que, se vencer o segundo turno, quer ficar no poder por apenas um mandato.

    Disse também que não apoiaria uma mudança na regra que permitisse que seu pai ou seus irmãos concorressem à sua eventual sucessão. "Não [apoiaria a mudança]. É como está hoje na regra que vale: parentes até terceiro grau também é considerado uma reeleição".

    Flávio Bolsonaro foi perguntado sobre declarações em que sugeriu aumentar o tempo do mandato presidencial de quatro para cinco anos, em paralelo ao fim da reeleição, e disse que abriria mão de buscar um novo mandato mesmo que o Congresso não aprove as mudanças defendidas por ele.

     

    "Sim, abriria mão porque eu, inclusive, quando a minha equipe trouxe esse assunto, partiu de mim apresentar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para dar o exemplo, e a minha PEC diz o seguinte: acaba a reeleição para presidente da República. O processo Legislativo, que vai depender de como o Senado e a Câmara vão se posicionar, é que vai decidir qual vai ser o tamanho do mandato", afirmou. "Eu só preciso de um mandato, eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade."

    Caso Master e Dark Horse 

    Flávio Bolsonaro afirmou que o "contrato não foi cumprido" ao responder a uma pergunta sobre o financiamento do filme "Dark Horse" e explicar por que pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, se o filme custou R$ 75 milhões, segundo a produtora Go UP Entertainment. 

    "Era um contrato que não foi cumprido. E, com os recursos, né, que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme." 

    Renata Lo Prete perguntou ao candidato sobre o destino dos quase R$ 70 milhões pagos por Vorcaro a pedido dele e transferidos para um fundo nos Estados Unidos, administrado por um advogado que é amigo de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato. Também perguntou por que o fundo, que estava inativo havia quatro anos, não prestou esclarecimentos sobre o uso dos recursos e por que o senador procurou especificamente Vorcaro para financiar o filme.

    O candidato afirmou que procurou outros possíveis investidores antes, e que Vorcaro "topou fazer". Disse também que a produtora brasileira prestou contas sobre o filme e que os gastos dependiam de autorização do fundo. Além disso, voltou a afirmar que se tratava de um patrocínio e negou ter oferecido contrapartidas em razão do cargo que ocupava.

    Flávio Bolsonaro é investigado num inquérito da Polícia Federal que apura se houve lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no financiamento do filme.

    Pai e irmão no governo

    O candidato foi questionado se, em um eventual governo, daria um cargo ao pai, que está preso e cumpre pena de 27 anos por organizar um golpe de Estado.

    Flávio Bolsonaro chamou o julgamento do pai de "farsa" e disse que ele foi condenado por um "golpe da Disney". Sobre eventuais cargos, afirmou que nunca tratou do assunto com Jair Bolsonaro e que o tema "não está no radar".

    "Ele nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo. Eu tenho o privilégio de, a hora em que eu precisar consultar um ex-presidente da República, eu tenho um dentro de casa, de confiança." 

    Flávio Bolsonaro também negou que pretenda nomear o irmão Eduardo, condenado pelo STF por tentar interferir no julgamento do pai, para ser ministro das Relações Exteriores.

    "Não, ele não vai ser meu chanceler", disse. Em seguida, defendeu o irmão, que vive nos Estados Unidos e perdeu o mandato de deputado federal.

    "Eduardo Bolsonaro é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil", disse.

    Aliados investigados no Rio de Janeiro 

    Flávio Bolsonaro afirmou que ficou surpreso com as investigações envolvendo políticos aliados no Rio de Janeiro, como o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), preso e suspeito de lavagem de dinheiro e envolvimento com a milícia, além do ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar (União Brasil), também preso e suspeito de ligação com o Comando Vermelho, e do ex-governador Cláudio Castro (PL), condenado pela Justiça Eleitoral e inelegível por abuso de poder.

    "Acho que as pessoas têm o direito de se defenderem e provar a sua inocência. Não tem que passar a mão na cabeça de ninguém. Se a pessoa cometeu algo de errado, ela vai ter que responder por isso."

    Atos golpistas e respeito às urnas 

    Flávio Bolsonaro foi perguntado sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de seu pai invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, além de agredirem policiais, e defendeu que as pessoas sejam punidas "na proporção dos crimes que cometeram".

    "A depredação de patrimônio público, agredir um policial, é inaceitável, não tem justificativa para isso", disse. Em seguida, questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe e citou pessoas que, segundo ele, estariam com Bíblia e vendendo algodão doce durante os ataques.

     

    "Vocês acham o quê? Que é sentar uma senhorinha lá na cadeira de presidente da República, dar ordem e todo mundo começar a cumprir? Uma tentativa de golpe em prédios vazios?", disse.

    O candidato passou então a acusar Lula de prejudicar a gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por divergências políticas. Ao ser novamente questionado sobre a punição a quem destruiu patrimônio e atacou policiais, respondeu: “Quem está depredando o Brasil é o Lula”.

    Questionado se vai respeitar o resultado das urnas se perder a eleição, Flávio Bolsonaro respondeu:

    "Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí, independente de qual for o resultado, eu vou respeitar".

    Acesso a armas 

    Flávio Bolsonaro foi perguntado sobre uma proposta apoiada por ele que retiraria a marcação nas cápsulas de balas compradas para o uso das forças de segurança, o que poderia prejudicar investigações e a possibilidade de rastrear como armas legais vão parar na mão do crime organizado.

    Na resposta, o candidato defendeu endurecer o combate a facções criminosas e disse que "quem está autorizado a usar armas de guerra são os bandidos".

    "Isso é muito maior do que qualquer detalhezinho desse em cima de uma cápsula", afirmou.

    O candidato foi perguntado sobre propostas de aliados para revogar o Estatuto do Desarmamento e sobre uma pesquisa da Quaest que aponta que a maioria dos brasileiros considera que limitar o acesso às armas melhora a segurança pública. Na resposta, chamou de "teses malucas" estudos que apontam que mais armas nas mãos dos cidadãos causam mais violência.

     

    Ele defendeu o armamento da população civil e mudanças no Estatuto do Desarmamento.

    "Se você não quer ter uma arma, tudo bem. Agora, quem atender os requisitos legais, tem direito a ter uma arma para defender sua família, sua casa, sua propriedade rural, sua fazenda de invasão do MST", afirmou.

    "Hoje, o Estatuto do Desarmamento proíbe o cidadão de se defender e autoriza os marginais a comprarem armas de guerra, porque não tem fiscalização nenhuma. O problema está nas armas na mão das pessoas erradas." 

    Interferência na PF 

    Flávio Bolsonaro foi perguntado sobre declarações em que o pai, quando presidente, falou sobre trocar superintendentes da Polícia Federal e até o ministro da Justiça para proteger sua família. Essas afirmações ocorreram durante uma reunião de ministros que foi filmada, e as gravações vieram a público.

    O candidato negou que o pai tenha promovido mudanças na PF para blindar familiares. "Ele trocou o superintendente do Rio de Janeiro na época, se eu não me engano, porque estava apresentando maus resultados, e ele queria uma pessoa que entregasse resultados melhores."

    Ao ser lembrado pela jornalista Renata Lo Prete de que Bolsonaro trocou até o então ministro da Justiça, Sergio Moro, o candidato afirmou que Moro havia pedido para deixar o cargo e que agora eles são aliados políticos.

    “Parabéns ao Sergio Moro, eleito governador no primeiro turno no Paraná. Está fazendo um grande trabalho e, se Deus quiser, vai ter Flávio Bolsonaro na Presidência da República para ajudar muitos paranaenses.” 

    Forças Armadas 

    Outro assunto da entrevista foi o afastamento das Forças Armadas da política nos últimos anos como resposta ao dano de reputação por envolvimentos de militares na tentativa de golpe.

    Flávio Bolsonaro foi questionado se exigiria que os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica concordassem com a sua visão sobre o 8 de janeiro de 2023 caso seja eleito.

    O candidato iniciou sua resposta dizendo que houve uma "farsa" para "tentar tirar Bolsonaro da vida pública".

    Em seguida, disse que um dos seus primeiros atos de presidente, se eleito, será reunir os comandantes militares e os chefes das polícias estaduais para "declarar guerra ao narcotráfico".

    Depois, citou como medidas de um eventual governo a participação do Exército e da Força Aérea Brasileira na fronteira com a Bolívia e a entrada do Brasil no Escudo das Américas, aliança liderada pelo governo dos Estados Unidos.

     

    Flávio Bolsonaro também afirmou que as Forças Armadas “foram completamente sucateadas” no governo atual.

    Saúde pública 

    Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, daria liberdade a seu ministro da Saúde para tomar as medidas necessárias em uma emergência de saúde pública.

    A questão veio no contexto da indicação do médico Cláudio Lottenberg como ministro da área em um eventual governo. Ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Lottenberg criticou, durante a pandemia, a demora de Jair Bolsonaro para comprar vacinas contra a Covid-19.

    A pergunta feita ao candidato foi se ele daria liberdade a Lotterberg como ministro, e o candidato respondeu:

    “Com certeza. Inclusive, na minha conversa com ele, quando fiz esse convite, foi exatamente: 'vamos olhar para a frente'".

    Flávio disse que, se eleito, pretende levar ao SUS práticas do Hospital Albert Einstein, ampliar o acesso à telemedicina e criar um prontuário único eletrônico para conectar informações das redes municipais, estaduais, federal e privada.

    Considerações finais 

    Nas considerações finais, o candidato agradeceu o apoio que tem recebido em seus atos de campanha, criticou Lula e disse ter três compromissos com o eleitor: não prometer o que não pode cumprir, "arrumar a economia" e "devolver a segurança" ao cidadão.

    "Muitas pessoas vêm dizendo para mim: 'Flávio, o Lula está mentindo para caramba, prometendo um monte de coisa que ele sabe que não vai entregar. Você tem que fazer isso também. Você tem que prometer uma picanha'. Eu, não. Eu vou trabalhar com a verdade, eu não vou ser igual a esse cara. Agora, eu quero fazer três compromissos com você. O primeiro: eu nunca vou prometer aquilo que eu não vou poder cumprir e entregar. O segundo: eu vou arrumar essa economia, eu vou devolver o seu poder de compra, você vai ter dinheiro no bolso de novo. E o terceiro: eu vou me dedicar com todas as forças para devolver a segurança para você, para mim, para a Renata, para todos nós andarmos nas ruas em segurança novamente."

     

    No encerramento, pediu votos para o segundo turno.

    Lula foi entrevistado na quinta (15) 

    O presidente Lula, que tenta a reeleição, abriu a série de entrevistas da Globo com os candidatos que disputam a Presidência neste segundo turno. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio em reunião com representantes das campanhas.

    Na entrevista a Renata Lo Prete nessa quinta-feira (15), Lula defendeu a redução da maioridade penal no caso de crimes hediondos e pediu a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitos de envolvimento no caso Master. Veja aqui o que o presidente disse à Globo.

    Foram convidados Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O encontro será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e mediado pelo jornalista César Tralli.

    O debate será transmitido ao vivo pela TV Globo, com exibição simultânea pela GloboNews e pelo g1, logo após o Jornal Nacional.

     
    g1
    Portal Santo André em Foco

    O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março devido às investigações sobre o Banco Master, organizou e pagou uma festa com chef de cozinha e garotas de programa, segundo investigadores, para o ministro Kassio Nunes Marques, membro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    As informações estão em mensagens de WhatsApp apreendidas pela Polícia Federal (PF) e reveladas pela "piauí". O g1 também teve acesso às conversas. O ministro Nunes Marques disse que nunca beneficiou Vorcaro com suas decisões e negou irregularidades (veja nota na íntegra abaixo).

    De acordo com as 125 mensagens sobre o assunto, que estavam no celular de Vorcaro, a festa foi em 28 de fevereiro de 2025, sexta-feira que antecedeu o Carnaval, no apartamento triplex do banqueiro no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo.

    De acordo com a "piauí", na terça-feira, 25 de fevereiro de 2025, três dias antes da noitada, Vorcaro escreveu para Rayanna, uma agenciadora de garotas de programa, perguntando se ela estaria disponível no dia 28.

    "Pode sexta a tarde?", perguntou o banqueiro. Rayanna confirmou. "Arruma mais 1 [uma]", ele pediu.

    No dia 26 de fevereiro, dois dias antes da festa, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Newton Ramos mandou mensagem para um agente de viagens de Vorcaro pedindo um quarto para Nunes Marques se hospedar no hotel Fasano na sexta-feira.

    O desembargador, que é amigo de Nunes Marques, se referiu ao ministro como "KN", segundo a mensagem.

    Newton Ramos já foi citado em outras conversas do escândalo do Master como sendo integrante da "turma do KN". A esposa dele, a advogada Camilla Ramos, tinha um contrato com o Master que poderia render até R$ 427 milhões em honorários caso o banco ganhasse os valores de precatórios que disputava no TRF-1.

    No mesmo dia 26, também de acordo com a "piauí", Vorcaro escalou um chef de cozinha para trabalhar na festa. "Sexta churrasco animado. Com min e [sic]", escreveu o banqueiro para o profissional, sem completar a frase.

    O banqueiro continuou os preparativos, avisando seu arquiteto que receberia um ministro no seu apartamento na capital paulista. "Vouch [sic] receber ministro aqui sexta. Alguém pode pintar isso", disse Vorcaro.

    Na manhã da sexta-feira, dia da festa, o chef de cozinha enviou para Vorcaro um arquivo com a lista de compras do evento. Segundo a revista, o gasto foi de R$ 21.121,90 em produtos como carnes, cinco latas de caviar e trufas. 

    'Sem celular' 

    Pouco depois, a agenciadora Rayanna escreveu para Vorcaro dizendo que não conseguiria comparecer naquela tarde. "Dani eu não vou conseguir ir posso mandar as duas? Eu conheço elas são da minha confiança! Vc vai adorar!", afirmou a mulher.

    Após certa resistência de Vorcaro, ele acabou concordando com a solução. "Pode chamar as duas." Mas advertiu: "So lembra que sem celular" — possivelmente para evitar registros da festa.

    Demonstrando atenção a todos os detalhes, Vorcaro pediu no início da tarde para seu arquiteto retirar da varanda do apartamento um sofá que estaria rasgado.

    "Pelo amor de Deus. Tira aquele sofa da varanda leo. To passando vergonha. Melhor deixar sem nada. Ele é logo na entrada, primeira coisa que a pessoa ve [sic]", orientou o banqueiro.

    Momentos depois, Vorcaro escreveu para Luiz Rennó, que foi diretor jurídico do Banco Master. "Ta sp?", perguntou. Rennó respondeu que estava trabalhando em Belo Horizonte. E seu chefe acrescentou: "Eu fazendo graça pra ministro em sp".

    Rennó já apareceu em outras mensagens investigadas no caso Master. Em 1º de outubro de 2024, ele disse a Vorcaro que o banco havia saído vitorioso no processo da Alcídia, uma disputa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro que tramitava no STF e interessava ao Master.

    Rennó relatou que, no processo da Alcídia, os votos favoráveis tinham sido dos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques. Em seguida, enviou o contato do advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques, com a seguinte mensagem: "Dominado aqui". Esse episódio ocorreu cinco meses antes da festa no apartamento. 

    'Começou chegar meninas' 

    Às 14h04 da sexta-feira, um homem identificado na agenda do celular de Vorcaro como "motorista" avisa ao chefe que "começou chegar meninas".

    "Todas que chegarem. Pode subir. Oega [pega] carro dos homens qdo chegarem. Fica embaixo vc e geraldo e acompanha chegada", instruiu Vorcaro.

    O homem perguntou: "Fica com telefone das meninas?". E o banqueiro respondeu que sim.

    Momentos depois, Vorcaro pediu ao mordomo Michael, que acompanhava a festa, para abrir as janelas do apartamento. "Abre as janelassss!!! Paredendo enterro [sic]", disse. Às 14h49, o mordomo avisou: "Convidado chegou".

    As mensagens não deixam claro por quanto tempo Vorcaro participou presencialmente da festa. Já à noite, às 20h56, o mordomo Michael escreveu ao patrão: 

    "Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina. Liguei para pedir autorização mais senhor não viu [sic]". 

    "Claro Qie sim", concordou Vorcaro. "Sobe. So fecha Meu quarto. E mostra o outro. Se vier o terceiro coloca sala tv", disse.

    O mordomo, então, falou que essa questão já estava resolvida, pois foram todos para o mesmo cômodo: "Eles foi fica junto".

    Pouco mais de uma hora mais tarde, o funcionário voltou a relatar para Vorcaro como estava o evento.

    "Aqui tá tranquilo já pessoal tudo pelado na piscina uma passou mau vomitou mais tá bem já", descreveu o mordomo. 

    "Pegou toalha para eles?", quis saber Vorcaro. "Peguei sim. Ministro tá sem pressa nenhuma de ir embora acabou de fala que está renovando para começa tudo novamente", informou o mordomo.

    Às 23h17, o funcionário escreveu: "Indo embora ele".

    Em seguida, Michael mandou duas fotos do apartamento para Vorcaro. Na primeira, o mordomo disse que estava arrumando o local para não deixar para Selma, a empregada, "essas coisas".

    Na segunda imagem, o funcionário brincou: "Essas menina é artista olha onde achei embaixo do travesseiro".

    As fotos eram de três preservativos usados, espalhados sobre um tapete, e de uma calcinha de renda preta encontrada entre o lençol e a fronha.

    Uma semana depois da festa, em 7 de março de 2025, a agenciadora Rayanna voltou a escrever para Vorcaro. "Boa tarde dani tudo bem? A minha amiga lá aquele dia ! Deu certo né ?", ela disse. 

    "Ela disse que ficou com o kassio! Ela tá me cobrando aqui", escreveu a mulher. 

    O banqueiro pediu "dados e valor". Rayanna disse "10 né!", em referência a R$ 10 mil, e enviou sua chave PIX para Vorcaro pagar.

    O que diz o ministro

    Em nota, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que nunca favoreceu Vorcaro com suas decisões e negou irregularidades. Veja o posicionamento na íntegra:

    "O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro.

    O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros. Seu filho nunca recebeu nada do Banco Master.

    A matéria referenciada faz ilações e tenta relacionar tais diálogos com a atuação na Presidência do TSE, numa tentativa de fragilizar a condução da Justiça Eleitoral."

     
    g1
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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, anunciou nesta quinta-feira (15) que enviará ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte coletivo urbano gratuito aos finais de semana e feriados.

    A estimativa é que a medida reduza em 0,25 ponto percentual o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês em que a PEC for aprovada, explica Leonardo Costa, economista do ASA, instituição financeira.

    A medida passaria a valer em 2027, caso Lula vença a eleição deste mês.

    O cálculo de redução da inflação considera uma queda de aproximadamente 22,4% no preço do subitem ônibus urbano, que representa 1,116% do índice. A estimativa já leva em conta as cidades que oferecem gratuidade atualmente e aquelas em que a cobrança ainda existe.

    Para a Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), "hoje a receita proveniente do pagamento da tarifa pública não é suficiente para cobrir os custos operacionais do sistema de transporte, o que requer o aporte de receitas não tarifárias".

    Tal aporte já vem sendo feito pelo país por meio de subsídios públicos, "embora insuficientes para mudar a sua qualidade no Brasil", complementa. "São necessárias outras fontes de recursos para o que o sistema seja sustentado, com melhoria".

    "Ao mesmo tempo em que a tarifa zero representa o atendimento a um direito social constitucioal, são necessárias fontes seguras de recursos para suportar de forma perene a qualidade e todos os custos operacionais, o que não vem ocorrendo", escreve a ANTP em nota.

    No entanto, a ANTP entende que o processo de implantação de tarifa zero deve ser progressiva, incorporando a gratuidade inicialmente para a população mais pobre, e que a tarifa pública seja baixa, ao alcance das demais faixas de renda da população.

    "É imperativa a participação do Governo Federal no custeio da operação do transporte público", enfatiza.

    Cidades já adotam gratuidade ou desconto

    "A medida se soma às experiências já em curso em algumas capitais, que mostram como a gratuidade aos domingos pode funcionar na prática", afirma Costa.

    Em São Paulo, o programa Domingão Tarifa Zero começou em dezembro de 2023 e oferece gratuidade nos ônibus municipais aos domingos.

    Em Belo Horizonte, a gratuidade entrou em vigor em 14 de dezembro de 2025, por decreto, como parte do programa Catraca Livre. A medida abrange todas as linhas convencionais e suplementares aos domingos e feriados nacionais.

    Em Belém, os ônibus das empresas associadas ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) passaram a ser gratuitos aos domingos e feriados em 13 de abril de 2025.

    Brasília também adotou a gratuidade nesses dias, no início de fevereiro de 2025.

    Curitiba, por sua vez, optou por um desconto em vez da isenção total. Desde 5 de janeiro de 2025, a tarifa aos domingos e feriados custa R$ 3, o equivalente a um desconto de 50% sobre o valor regular.

     
    g1
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    Na propaganda eleitoral gratuita dos candidatos à Presidência da República desta sexta-feira (16), Flávio Bolsonaro (PL) acenou ao eleitorado feminino, detalhando propostas voltadas às mulheres e exibindo o apoio de aliadas. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as medidas econômicas do candidato do PL e comemorou a aprovação do fim da escala 6x1.

    Primeira a ser exibida, a propaganda de Flávio foi dedicada às propostas do "Brasil por Elas", programa do plano de governo registrado na Justiça Eleitoral voltado às mulheres.

    O candidato mostrou depoimentos de mulheres demonstrando insatisfação com a economia, inflação e segurança pública no atual governo. "Lula promete, o Brasil sofre", afirmou a campanha.

    Entre as propostas, já apresentadas em propagandas anteriores, Flávio destacou medidas de auxílio a crédito para mulheres, rede TEA Brasil e o vale-creche, que propõe vagas em creches particulares caso não haja disponibilidade na rede pública. O presidenciável ainda abordou a redução da maioridade penal e sugeriu que a medida não vai avançar caso Lula seja reeleito.

    O programa também exibiu depoimentos de apoio de aliadas políticas do candidato, entre elas Daniella Marques, uma das coordenadoras da campanha.

    As senadoras eleitas Caroline de Toni (PL-SC), Bia Kicis (PL-DF) e Gracinha Caiado (União-GO), esposa de Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência derrotado no 1º turno, também apareceram na propaganda. O candidato afirmou ter apoio da maioria da bancada feminina eleita no Congresso, caso seja eleito presidente.

    Já na propaganda petista, Lula abriu a peça comparando Flávio a Javier Milei, presidente da Argentina, e criticando as medidas econômicas do adversário. O petista sugeriu que a crise deflagrada no país vizinho pode ocorrer no Brasil caso o candidato do PL seja eleito.

    "O tesouraço do Flávio Bolsonaro é a motosserra de Milei na Argentina. Quando Flávio Bolsonaro fala em cortes, a despesa que ele quer cortar é você", destacou a propaganda petista.

    A peça também voltou a abordar o fim da escala 6x1 no Senado e comemorou a aprovação do projeto no Senado, afirmando ainda que o candidato do PL mudou de posição e acabou votando a favor do projeto por "oportunismo".

    Outro trecho da propaganda foi dedicado à mobilização de apoiadores. A peça exibiu um vídeo, viralizado nas redes sociais, da cantora Ivete Sangalo fazendo o “L”.

    Na propaganda, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu a união de diferentes posições políticas em torno da candidatura. O vice-presidente afirmou que o país "não precisa de radicalismos" e convocou apoiadores a formar uma frente democrática para impedir a volta do bolsonarismo.

     
    g1
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    A Justiça Eleitoral da Paraíba retoma nesta sexta-feira (16) o atendimento online para esclarecer dúvidas dos eleitores sobre a votação. O serviço funciona das 8h às 18h nos dias úteis e das 8h às 19h aos sábados e domingos.

    O atendimento do Serviço de Atendimento ao Eleitor (SAE) ocorre por meio de ligação ou WhatsApp pelo telefone oficial (83) 3512-1500.

    Segundo o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), os eleitores podem consultar a situação eleitoral, confirmar o local de votação, saber quais documentos levar, obter orientações sobre como justificar a ausência e verificar se têm biometria cadastrada.

    No segundo turno, marcado para 25 de outubro, o atendimento começa às 6h e segue até o encerramento da votação, previsto para as 17h.

    Atendimentos no primeiro turno

    Entre 24 de setembro e 6 de outubro, o Serviço de Atendimento ao Eleitor (SAE) realizou 2.740 atendimentos. Desse total, 1.856 foram feitos pelo chat e 882 por telefone.

    As principais dúvidas foram sobre documentos de identificação, voto em trânsito, local e seção de votação, justificativa eleitoral, multas e situação do título de eleitor. Também houve perguntas sobre treinamento e convocação de mesários.

     
    g1 PB
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    O Vaticano divulgou nesta sexta-feira (16) as primeiras imagens de papa Leão XIV após a cirurgia que ele foi submetido para a retirada de um câncer de pulmão. 

    As fotos são de uma missa celebrada pelo pontífice às 7h desta sexta, no horário de Brasília, na capela do 10º andar do hospital Gemelli, em Roma, segundo o Vaticano. 

    "Em sua homilia, o papa agradeceu a todos os funcionários — médicos, enfermeiros e auxiliares — pelo trabalho que realizam diariamente no cuidado dos doentes e de suas fragilidades e, de modo especial, por tudo o que fizeram e continuam fazendo por ele", afirmou o Vaticano em comunicado. 

    Segundo a Santa Sé, estavam presentes médicos e profissionais de enfermagem do hospital que estavam de folga no momento da missa, além de integrantes do Corpo de Gendarmaria da Cidade do Vaticano.

    Pouco antes de divulgar as fotos, o Vaticano atualizou o estado de saúde do pontífice, que apresenta uma "melhora contínua" no seu estado clínico, e anunciou que ele fará oração ao público no domingo (18) da janela do Gemelli e garantiu que a viagem de Leão XIV à América do Sul em novembro continuava de pé até o momento.

    ➡️ O pontífice, de 71 anos, está internado desde o início da semana, quando foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor no pulmão direito, que também foi parcialmente removido. A operação ocorreu após o próprio papa anunciar, no fim de semana, que médicos haviam encontrado um nódulo em seu pulmão.

    "Na manhã de hoje, o Santo Padre realizou exames de sangue e uma radiografia de tórax, que confirmaram uma melhora constante em seu estado geral", diz o boletim. "As sessões de fisioterapia respiratória continuaram. Sua recuperação pós-operatória permite, agora, que ele realize suas atividades diárias habituais com total autonomia". 

    Ainda segundo o Vaticano, o papa Leão XIV retomou na quinta-feira seu trabalho à frente da Igreja Católica e participou de uma missa em uma sala especial no Gemelli.

    Na quarta-feira (14), o Vaticano informou que Leão XIV já havia voltado a se alimentar e caminhava pelos corredores do hospital durante a recuperação. Também na quarta, o papa divulgou uma mensagem na qual agradeceu as orações recebidas de fiéis de todo o mundo e pediu que continuassem rezando por sua recuperação.

    "Confiando cada um de vós à proteção da Sagrada Família de Nazaré, peço-vos por favor que rezai por mim, enquanto eu rezo por vós", escreveu na mensagem divulgada na quarta.

    A mensagem foi enviada aos participantes de um encontro da Igreja Católica do qual ele não pôde participar por causa da internação. No texto, Leão XIV afirmou que pretende analisar os resultados das discussões e apresentar suas reflexões em momento oportuno.

    ? A cirurgia do papa Leão XIV retirou o lobo inferior do pulmão direito por meio de uma técnica videoassistida. Segundo os médicos, o câncer foi identificado após exames realizados devido a um nódulo detectado anteriormente.

    O Vaticano não informou uma previsão de alta, mas tem divulgado atualizações diárias sobre o estado de saúde do pontífice.

     
    g1
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    O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu aos líderes da União Europeia que forneçam um financiamento adicional de 70 bilhões de euros - o equivalente a R$ 400 bilhões - para a Ucrânia no próximo ano, para ajudar o país a continuar lutando contra a Rússia, , nesta sexta-feira (16).

    Em discurso na cúpula do bloco em Bruxelas, após a UE reafirmar seu apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia, Zelensky fez o apelo, que classificou como um "valor realista": 

    "A guerra custará 155 bilhões de euros no próximo ano. E precisamos de pelo menos mais 70 bilhões de euros de vocês — para defesa, armamento e para nossa resiliência. Este é um valor realista. E peço que encontrem esse apoio". 
     

    Os líderes europeus expressaram seu apoio a Kiev ao comentar o momento de grande tensão entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e diante da preocupação de que Washington se aproxime cada vez mais das posições da Rússia.

    As relações entre Ucrânia e Estados Unidos ficaram ainda mais tensas desde a semana passada, quando Trump flexibilizou as sanções contra a Rússia em troca do fornecimento, por parte de Moscou, de grandes quantidades de diesel aos mercados mundiais e ao mercado americano.

    Zelensky chamou o acordo de "indigno" e afirmou que servirá apenas para encorajar a Rússia a prosseguir com a guerra contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.

    Vários aliados europeus de Kiev também criticaram o acordo, que pretende aliviar os preços dos combustíveis nos Estados Unidos a poucas semanas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.

    A situação se agravou depois que Zelensky ordenou a retomada dos ataques ucranianos contra refinarias russas, ignorando as exigências de Washington.

    A crise tem outro ponto de tensão: as interrupções de um sistema de satélites fornecido pelos Estados Unidos, que dificultaram a capacidade de resposta das Forças Armadas ucranianas aos bombardeios russos.

    "Não é o momento de retirar nosso apoio à Ucrânia. Não é o momento de aliviar as sanções contra a Rússia", declarou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, ao receber Zelensky em Bruxelas para uma reunião de cúpula da União Europeia. 

    O mandatário ucraniano agradeceu o apoio daqueles que chamou de "verdadeiros líderes" europeus e afirmou que não há sinais de que Moscou esteja disposto "a acabar com esta guerra".

    Por sua vez, o primeiro-ministro dos Países Baixos, Rob Jetten, advertiu que "a situação na Ucrânia é atualmente muito grave", devido aos vários ataques russos e ao agravamento da relação com os Estados Unidos.

    "É fundamental que hoje, como Europa, demonstremos nosso apoio incondicional à Ucrânia e examinemos que medidas adicionais podemos adotar", afirmou.

    Um sistema indispensável de satélites 

    Zelensky precisa administrar uma relação de altos e baixos com Trump desde que o imprevisível presidente americano voltou ao poder, em janeiro do ano passado, com a promessa de reduzir o apoio de Washington a Kiev.

    Na quinta-feira, Trump considerou "uma vergonha" que a Ucrânia retomasse os ataques contra refinarias russas e afirmou que Kiev estava contribuindo para o aumento dos preços mundiais da energia. 

    "Acho que considero mais difícil lidar com Zelensky do que com Putin", declarou o presidente americano em uma entrevista ao canal Newsmax. 

    Por sua vez, o Kremlin acusou a Ucrânia de dificultar os "intensos esforços" de paz dos Estados Unidos ao retomar os ataques contra as refinarias.

    Grande parte da indignação na Ucrânia nesta semana concentrou-se nas restrições ao sistema de comunicações por satélite Starshield, do qual as Forças Armadas dependem para detectar ataques russos e coordenar a resposta na linha de frente.

    Este sistema da empresa SpaceX é diferente do Starlink, a rede civil de satélites que a Ucrânia também utiliza, embora não para operações de ataque.

    O magnata do setor de tecnologia Elon Musk afirmou que sua empresa não estava por trás de nenhuma interrupção do Starshield.

    "Os sistemas Starshield pertencem ao governo dos Estados Unidos e estão sob seu controle. Qualquer limitação de largura de banda ou de uso é decidida pelas Forças Armadas americanas e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos", disse. 

    A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, destacou que "o Starlink é realmente necessário para a Ucrânia" e admitiu que "a Europa não consegue substituir este sistema a curto prazo". 

    Novas ajudas? 

    Embora a prioridade dos líderes europeus seja superar a crise com Washington, eles também pretendem debater maneiras de reforçar as defesas aéreas da Ucrânia e como enfrentar sua delicada situação orçamentária.

    "Temos que nos preparar para o inverno. Não se trata apenas de energia, mas também de defesa antiaérea e de financiamento", declarou Zelensky.

    Os dirigentes da UE discutirão como manter o apoio à Ucrânia no próximo ano. A União Europeia conta atualmente com um programa de empréstimos de 90 bilhões de euros (516 bilhões de reais) destinado a Kiev, criado para cobrir as necessidades financeiras até o final de 2027.

    As autoridades ucranianas, no entanto, advertiram que precisarão de dezenas de bilhões de euros adicionais, já que os ataques russos atingiram duramente a economia do país.

    O debate sobre novas ajudas provocou a retomada dos apelos para que a UE utilize quase 200 bilhões de euros (1,14 trilhão de reais) em ativos congelados do Banco Central russo no financiamento da Ucrânia.

    No momento, parece haver pouco impulso político para avançar nesta direção, devido à oposição da Bélgica, onde está depositada a maior parte dos fundos congelados.

     
    AFP
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    Um jovem de 16 anos matou a tiros três crianças e uma professora em uma escola primária no Oregon, nos Estados Unidos, na quinta-feira (16/10). Ele foi morto por uma pessoa que passava pelo local, informou a polícia.

    O suspeito, que não teve o nome divulgado, invadiu a escola primária Silver Rail, na cidade de Bend, e começou a atirar contra portas trancadas, confirmou o chefe da polícia local, Mike Krantz. 

    O adolescente foi morto a tiros por um membro da comunidade que "o perseguiu até a escola e o confrontou", disse Krantz. A polícia chegou três minutos depois. 

    As três crianças mortas tinham cinco, oito e 11 anos. Uma criança de sete anos e uma professora de 54 anos foram levadas para o hospital em estado grave. Não se sabe se o agressor tinha alguma ligação com a escola.

    Foram registrados 235 incidentes com armas de fogo em escolas americanas no ano passado e pelo menos 140 até agora neste ano, de acordo com o banco de dados K-12 School Shooting Database. 

    O grupo de defesa do controle de armas Everytown for Gun Safety classificou o Oregon em 12º lugar na lista dos 50 Estados americanos com base na rigidez de suas leis sobre porte de armas.

     

    Mas a taxa de violência armada no Estado está próxima da média nacional, com 14,2 mortes por 100 mil habitantes, apesar do endurecimento das leis de armas nos últimos anos, segundo o grupo.

    Segundo a Everytown, no Oregon, as armas devem ser armazenadas em local seguro quando não estiverem sob o controle imediato do proprietário, e as universidades têm autoridade para proibir armas em seus campi.

    "Estamos chocados e com o coração partido por esta tragédia sem sentido", disse Steven Cook, da liderança do distrito escolar de Bend, em um comunicado. 

    "Nenhuma palavra consegue expressar adequadamente a dor que nossa comunidade está sentindo."

     

    A polícia informou que o agressor era um rapaz de 16 anos da região, mas não divulgou mais detalhes sobre ele ou a identidade das vítimas.

    A polícia foi alertada sobre o atirador ativo na Escola Primária Silver Rail às 12h59 do horário local de quinta (15h59 GMT), disse a porta-voz do Departamento de Polícia de Bend, Sheila Miller, a repórteres.

    A primeira ligação partiu de uma pessoa que relatou que um suspeito desconhecido estava atirando contra seu carro com uma arma longa, informou a polícia. Fotos divulgadas do local mostram uma caminhonete vermelha com marcas de tiros.

    Minutos depois, a central de emergência local recebeu ligações para o 911 informando que o agressor havia entrado na escola. 

    A polícia disse que ele atirou nas fechaduras das portas para forçar a entrada. 

    Segundo relatos da mídia local, a escola recebeu novas portas para as salas de aula em 2022, que podem ser trancadas com o simples toque de um botão.

    Uma pessoa que passava pela rua viu o tiroteio começar, perseguiu o agressor até a escola e o matou a tiros, explicou a polícia.

    Três minutos depois, os primeiros policiais chegaram ao local. Eles confirmaram que o agressor havia sido morto e, em seguida, revistaram a escola.

    A governadora do Oregon, Tina Kotek, elogiou o pedestre que "interveio heroicamente" para evitar mais mortes. 

    "Suas ações carregam um grande peso emocional e eu só quero que você saiba que meus pensamentos estão com você também", disse ela em uma coletiva de imprensa ao lado de outros funcionários. 

    Um repórter de um jornal local disse ao programa Today da BBC Radio 4 que a escola foi colocada em confinamento quando os tiros começaram e que os alunos conseguiram se comunicar com os pais do lado de fora usando seus relógios Apple.

    Michael Kohn, repórter do jornal Bulletin, disse que o incidente deixou os pais atônitos.

    "Esta é uma escola de bairro. Os pais estão perplexos. É algo que você simplesmente não espera que aconteça em Bend, Oregon. É uma cidade montanhosa", disse ele.

    As escolas em Bend foram fechadas nesta sexta-feira (16/10). As autoridades disseram que a comunidade precisava de tempo para se recuperar.

    Segundo a polícia, cerca de 450 crianças frequentam a Escola Primária Silver Rail, que conta com mais de 40 funcionários adultos.

     
    BBC News
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    O Brasil tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025.

    Desse total, 525 mil estavam ocupados nas piores formas de exploração, que incluem atividades perigosas e insalubres proibidas para menores de 18 anos e previstas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP).

    O número representa 36,2% dos jovens que exerciam atividades econômicas no país, segundo dados da PNAD Contínua, do IBGE.

    O Sudeste concentrava o maior número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil casos em 2025. (Veja por região)

    ? O IBGE considera em situação de trabalho infantil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que realizam atividades econômicas ou produzem bens para o próprio consumo, conforme os critérios da pesquisa. A legislação brasileira proíbe qualquer trabalho antes dos 14 anos e permite a aprendizagem a partir dessa idade. Aos 16 e 17 anos, o trabalho é permitido, mas há restrições.

    Piores formas de trabalho infantil

    Cerca de 525 mil crianças e adolescentes estavam ocupados nas chamadas piores formas de trabalho infantil, o equivalente a 36,2% daqueles que realizavam atividades econômicas. É o menor número da série histórica.

    • ? A classificação segue a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), prevista no Decreto nº 6.481, de 2008. Ela inclui atividades que podem colocar em risco a saúde, a segurança e a moralidade de crianças e adolescentes, como determinados trabalhos com máquinas perigosas, produtos químicos e em condições insalubres.

    Na comparação com 2024, quando a estimativa era de 560 mil pessoas, houve queda de 6,3%. Em relação a 2016, quando 919 mil crianças e adolescentes estavam nessas ocupações, a redução acumulada chega a 42,9%.

    O perfil desse grupo também revela desigualdades: 72,6% eram meninos e 68,3% eram pretos ou pardos. Além disso, 333 mil tinham entre 16 e 17 anos, o equivalente a mais de 60% dos que estavam nas piores formas de trabalho infantil.

    Adolescentes de 16 e 17 anos concentram a maioria dos casos

    O trabalho infantil é mais frequente entre os mais velhos. Em 2025, os adolescentes de 16 e 17 anos correspondiam a 58,1% do total de crianças e adolescentes nessa situação: eram 871 mil pessoas, ou 14,5% da população dessa faixa etária.

    Entre os jovens de 14 e 15 anos, havia 348 mil pessoas em situação de trabalho infantil, o equivalente a 5,9% da população dessa faixa etária. Já entre crianças de 5 a 13 anos, eram 280 mil casos, ou 1,1% do total nessa idade.

    Nesse último grupo, 190 mil crianças, ou 67,7% do total, estavam envolvidas exclusivamente em atividades voltadas ao próprio consumo, como a produção de alimentos para a família.

    O levantamento também mostra desigualdades por sexo e raça ou cor. Os meninos representavam 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, enquanto as meninas correspondiam a 34,6%. Crianças e adolescentes pretos ou pardos somavam 67% do total.

    ⚠️ Nem todo adolescente que trabalha está necessariamente em situação irregular. A classificação como trabalho infantil depende da idade, da atividade exercida e das condições de trabalho, conforme os critérios da legislação e da pesquisa.

    A legislação brasileira estabelece regras diferentes para cada idade:

    • Até os 13 anos, qualquer trabalho é proibido.
    • Aos 14 e 15 anos, é permitido apenas o trabalho na condição de aprendiz.
    • A partir dos 16 anos, o trabalho é autorizado, mas há restrições: menores de 18 anos não podem exercer atividades noturnas, perigosas ou insalubres, nem ocupações incluídas na Lista TIP.

    Informalidade e distância da escola

    Entre os adolescentes de 16 e 17 anos que trabalhavam, 67% estavam na informalidade, o equivalente a aproximadamente 705 mil pessoas. O percentual foi o menor da série histórica. Em 2022, a taxa era de 76,3%.

    A relação entre trabalho e educação é outro ponto de atenção. Entre as crianças e os adolescentes em situação de trabalho infantil, a taxa de escolarização era de 86,9%, abaixo dos 97,5% registrados entre todas as crianças e adolescentes de 5 a 17 anos.

    A diferença é ainda maior entre os jovens de 16 e 17 anos. Nessa faixa, 79,6% daqueles em situação de trabalho infantil frequentavam a escola, ante 89,6% do total de adolescentes da mesma idade.

    A diferença de 10 pontos percentuais não significa, por si só, que o trabalho tenha provocado o abandono escolar em todos os casos, mas mostra que os adolescentes em situação de trabalho infantil têm menor frequência escolar.

    Os dados de rendimento também mostram diferenças entre os grupos. Crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil recebiam, em média, R$ 936 por mês. Entre os que ainda estudavam, o rendimento médio era de R$ 844, enquanto aqueles que haviam deixado a escola recebiam R$ 1.326.

    A diferença é compatível com a possibilidade de jornadas mais longas entre os jovens que não frequentam a escola.

    Sudeste tem mais casos; Norte, maior proporção

    A distribuição regional mostra que o Sudeste concentrava o maior número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil pessoas.

    O Nordeste vinha em seguida, com 408 mil, seguido pelo Norte, com 249 mil, pelo Sul, com 233 mil, e pelo Centro-Oeste, com 128 mil.

    ?‍♂️ Quando o cálculo considera a proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em relação à população de cada região, porém, o cenário muda. O Norte apresentava a maior taxa do país, de 6,3%, enquanto o Sudeste registrava a menor, de 3,3%.

    Isso significa que, embora o Sudeste concentre mais casos em números absolutos, o trabalho infantil representa uma parcela maior da população jovem no Norte.

    O Nordeste, por sua vez, teve a maior redução acumulada entre 2016 e 2025, de 45,6%. Na comparação entre 2022 e 2025, a queda na região foi de 29,2%.

    Bolsa Família concentra mais de 95% da redução em 2025

    A redução do trabalho infantil ocorreu principalmente entre crianças e adolescentes que vivem em famílias beneficiárias do Bolsa Família. De 2024 para 2025, o número de jovens em situação de trabalho infantil nessas famílias caiu 20,1%, de acordo com os dados da PNAD Contínua.

    Isso representa 144 mil crianças e adolescentes a menos nesse grupo, o equivalente a mais de 95% da redução de 151 mil casos registrada no país no período.

    Em 2025, 573 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que viviam em famílias atendidas pelo programa estavam em situação de trabalho infantil. O número corresponde a 4,4% das crianças e adolescentes que vivem nessas famílias.

    Ao todo, 13,1 milhões de crianças e adolescentes nessa faixa etária moravam em famílias beneficiárias do Bolsa Família, o equivalente a 34,7% da população de 5 a 17 anos no país.

    A diferença de renda entre os domicílios também chama a atenção. A renda média mensal por pessoa era de R$ 660 nas famílias beneficiárias, contra R$ 1.990 naquelas que não recebiam o benefício.

    Os números mostram que a redução do trabalho infantil esteve fortemente concentrada entre as famílias atendidas pelo programa.

    A comparação, porém, não permite atribuir toda a queda exclusivamente ao Bolsa Família: outros fatores econômicos e sociais também podem influenciar a entrada de crianças e adolescentes no mercado de trabalho antes da idade permitida.

    Fiscalização bate recorde, mas problema é grande

    Enquanto o IBGE estima a dimensão do trabalho infantil no país por meio de uma pesquisa domiciliar, a fiscalização federal atua para identificar casos de trabalho infantil e afastar crianças e adolescentes de atividades ilegais.

    Minas Gerais, com 830 afastamentos, e São Paulo, com 629, registraram os maiores números entre os estados. Esses números são bem menores que o total de 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil estimado pelo IBGE para o mesmo ano.

    A comparação ajuda a mostrar a diferença entre o total estimado pela pesquisa e os casos identificados pela fiscalização, mas não representa uma taxa de cobertura oficial: os dois indicadores são produzidos por métodos diferentes, e as fiscalizações podem se concentrar em situações de maior gravidade.

    As dificuldades para enfrentar o problema incluem a informalidade, a existência de locais de trabalho espalhados pelo país e a dificuldade de identificar situações que ocorrem em ambientes privados, como o trabalho doméstico. A atuação dos auditores-fiscais também depende da estrutura disponível para realizar fiscalizações em todo o país.

    Além das ações de fiscalização, o número de denúncias também aumentou em 2025. O Disque 100 recebeu cerca de 5,1 mil denúncias relacionadas ao trabalho infantil, alta de 19,4% em relação ao ano anterior. Já o Ministério Público do Trabalho recebeu aproximadamente 7,9 mil denúncias, crescimento de 36,6%.

     

    g1
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