Um sistema indispensável de satélites
Zelensky precisa administrar uma relação de altos e baixos com Trump desde que o imprevisível presidente americano voltou ao poder, em janeiro do ano passado, com a promessa de reduzir o apoio de Washington a Kiev.
Na quinta-feira, Trump considerou "uma vergonha" que a Ucrânia retomasse os ataques contra refinarias russas e afirmou que Kiev estava contribuindo para o aumento dos preços mundiais da energia.
Por sua vez, o Kremlin acusou a Ucrânia de dificultar os "intensos esforços" de paz dos Estados Unidos ao retomar os ataques contra as refinarias.
Grande parte da indignação na Ucrânia nesta semana concentrou-se nas restrições ao sistema de comunicações por satélite Starshield, do qual as Forças Armadas dependem para detectar ataques russos e coordenar a resposta na linha de frente.
Este sistema da empresa SpaceX é diferente do Starlink, a rede civil de satélites que a Ucrânia também utiliza, embora não para operações de ataque.
O magnata do setor de tecnologia Elon Musk afirmou que sua empresa não estava por trás de nenhuma interrupção do Starshield.
"Os sistemas Starshield pertencem ao governo dos Estados Unidos e estão sob seu controle. Qualquer limitação de largura de banda ou de uso é decidida pelas Forças Armadas americanas e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos", disse.
Novas ajudas?
Embora a prioridade dos líderes europeus seja superar a crise com Washington, eles também pretendem debater maneiras de reforçar as defesas aéreas da Ucrânia e como enfrentar sua delicada situação orçamentária.
"Temos que nos preparar para o inverno. Não se trata apenas de energia, mas também de defesa antiaérea e de financiamento", declarou Zelensky.
Os dirigentes da UE discutirão como manter o apoio à Ucrânia no próximo ano. A União Europeia conta atualmente com um programa de empréstimos de 90 bilhões de euros (516 bilhões de reais) destinado a Kiev, criado para cobrir as necessidades financeiras até o final de 2027.
As autoridades ucranianas, no entanto, advertiram que precisarão de dezenas de bilhões de euros adicionais, já que os ataques russos atingiram duramente a economia do país.
O debate sobre novas ajudas provocou a retomada dos apelos para que a UE utilize quase 200 bilhões de euros (1,14 trilhão de reais) em ativos congelados do Banco Central russo no financiamento da Ucrânia.
No momento, parece haver pouco impulso político para avançar nesta direção, devido à oposição da Bélgica, onde está depositada a maior parte dos fundos congelados.







